SÃO PAULO - Os rizicultores brasileiros apostam na recuperação do setor e ampliam a área de cultivo de arroz para a temporada 2010/2011. A produção nacional, de acordo com levantamento da Safras & Mercado, deve avançar 13%. No Rio Grande do Sul, maior estado produtor, é estimado um aumento de 22% no volume produzido e 10% no número de hectares. O clima atual e a água disponível no estado são as molas propulsoras para a elevação. "É uma tendência de recuperação em relação às perdas devido ao clima em 2009", afirma Élcio Bento, analista de mercado da Safras. Dados da Safras apontam ainda uma produção no Brasil de 13,07 milhões de toneladas de arroz - só os gaúchos devem responder por 8,4 milhões de toneladas. Em 2009, o Rio Grande do Sul colheu 6,88 milhões de toneladas de arroz, queda de 13% ante a temporada 2008/2009. Segundo o analista, 2010 mesmo sendo o ano de La Niña, apresenta melhores condições para o cultivo do grão. Tanto que a incerteza quanto ao fenômeno climático fez com que o agricultor gaúcho antecipasse o plantio. "Em 2009, o custo de produção aumentou por causa da necessidade de mais uso de defensivos." Para Maurício Fischer, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o cultivo no estado começou agora para evitar irrigação, o que aumenta o custo ao agricultor. "No ano passado, o produtor teve muitos prejuízos." Para Francisco Schardong, presidente da comissão do arroz e primeiro diretor administrativo da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), se o rizicultor não estivesse tão endividado, talvez deixasse a cultura.
"Hoje, 60% da lavoura são arrendados. O agricultor não tem alternativa", afirma, lembrando que na área com água no estado a única opção é cultivar arroz. "A água acaba por ser o regulador da intenção de plantio", completa. Segundo Schardong, além dos reservatórios que já estão cheios, o governo federal estaria finalizando a construção de mais duas barragens no estado. O que proporcionaria um aumento de 30 mil hectares para a cultura. No entanto, as cotações do cereal no mercado interno não estão atrativas ao rizicultor. O mês de agosto encerrou com queda de 2,28% nos preços. A diminuição teria ocorrido pela baixa demanda por parte da indústria. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) encerrou dezembro com preço médio de R$ 26,82 para a saca de 50 quilos na indústria. De 23 a 30 de agosto, a queda chegou a ser de 1,54%. No dia 31 do mês passado, a saca de arroz estava cotada a US$ 15,29. De acordo com Bento, neste ano comercial, os valores do arroz deveriam estar altos, devido ao abastecimento apertado em todo o Mercosul. "Mas por enquanto os preços no mercado externo estão baixos, e se o preço subir aqui, a indústria vai buscar arroz lá fora", afirma o analista de Safras & Mercado. Bento lembra ainda que, por outro lado, se as cotações externas do arroz não subirem, no Brasil, poderá ocorrer concentração do grão, achatando ainda mais os preços do produto.
Exportação
Segundo Fischer, para que o País consiga escoar parte da produção no mercado externo seria necessário apoio do governo federal no que se refere a tarifações. "Não somos competitivos. O governo deveria desonerar o arroz do Brasil", afirma. Tanto que um engenho no Mato Grosso, de acordo com Bento, adquiriu recentemente o cereal do Paraguai, mesmo com a logística desfavorável. O setor, que no Rio Grande do Sul, possui uma meta de embarcar pelo menos 10% da produção, quase atingiu esse percentual em 2009. Porém, para o analista, com a sobrevalorização do real, as metas de embarques não devem se realizar este ano, já que os preços no mercado internacional estão atrativos. (conforme o gráfico). Estudo da Safras mostra que cerca de 80% do arroz embarcado é destinado à África. "E quase todo o volume parte do Rio Grande do Sul", explica. De acordo com Schardong, o Brasil exporta arroz para cinco continentes em 51 países. "Estamos nos esforçando para buscar mais mercado e bater nossa meta", finaliza Fischer.
Fonte: DCI
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